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Brasil e Holanda discutem recuperação de nutrientes de efluentes sanitários

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O Serviço Autônomo de Água e Esgoto de São Carlos (SAAE) iniciou nesta terça-feira (5), um encontro entre pesquisadores da Holanda, do Notherlands Institute of Ecology (NIOO-KNAW), do Departamento de Hidráulica e Saneamento da Escola de Engenharia da USP e da Faculdade de Engenharia da UNESP Bauru. A pauta da reunião foi a pesquisa que vem sendo realizada pelos dois países sobre a recuperação de nitrogênio e fósforo de efluentes sanitários.

A mesa de autoridades foi composta pelo prefeito Airton Garcia, pelo vice-prefeito e secretário de Habitação e Desenvolvimento Urbano, Giuliano Cardinali, pelo presidente do SAAE, Benedito Marchesin, secretário de Desenvolvimento Sustentável, Ciência e Tecnologia, José Galizia Tundisi, Profº Drº Luiz Antônio Daniel, do Departamento de Hidráulica e Saneamento da Escola de Engenharia da USP, pesquisador responsável pelo estudo no Brasil e por Louise Vet, do Notherlands Institute of Ecology, professora responsável pela pesquisa na Holanda e que fez a abertura dos trabalhos.

Louise Vet agradeceu o apoio do SAAE para que a pesquisa seja realizada no Brasil, já que as unidades experimentais estão instaladas na ETE Monjolinho que oferece amostras de esgoto para o desenvolvimento dos trabalhos. Todos os custos são financiados pela FAPESP pelo lado brasileiro e, pela NWO – Netherlands Organization for Scientific Research, pelo lado holandês. “A nossa pesquisa tem como objetivo desenvolver tecnologia para recuperar nutrientes, utilizando o esgoto como meio de cultura para microalgas. A presença de nutrientes pode significar uma vantagem substancial para o reuso de água, especialmente, em irrigação e piscicultura, pois são insumos necessários para o cultivo de plantas e de animais aquáticos. Na Holanda trabalhamos com sistema descentralizado, o que nos possibilitou aplicar o processo para 300 unidades residenciais”, revelou a pesquisadora.

Já Luiz Antônio Daniel, do Departamento de Hidráulica e Saneamento da Escola de Engenharia da USP, especialista no tratamento de águas residuárias, disse que o objetivo é transformar as estações de tratamento de esgoto em estações de recuperação. “Temos que mudar o conceito de que o esgoto é um rejeito, pois ele é rico em nutrientes, nitrogênio, fósforo, carbono, potássio, entre outros elementos, porém a nossa pesquisa é no sentido de recuperar o nitrogênio e o fósforo, produtos valiosos, principalmente o fósforo que é esgotável e sem ele não tem agricultura. A nova concepção é incorporar esses nutrientes nas algas, depois retirarmos as algas que podem servir como fertilizantes”, explicou Daniel.

O presidente do SAAE, Benedito Marchezin, ressaltou que a pesquisa não tem custos para autarquia. “A nossa colaboração é fornecer a matéria-prima, no caso o esgoto, e o laboratório.Atualmente no Brasil, os processos de tratamento visam à remoção de compostos orgânicos, não sendo otimizados para a remoção de nutrientes, gerando efluentes finais tratados com elevadas cargas de compostos nitrogenados, os quais são lançados diretamente nos corpos d’água. Entretanto estamos buscando adequar nossos processos através do emprego de novas tecnologias para recuperar nutrientes, por meio dessa pesquisa”.

De acordo com o secretário José Galizia Tundisi, apoiar o desenvolvimento de pesquisas em conjunto com as universidades e articular o setor público nessa área, é a função da pasta que coordena. “Ciência e Tecnologia são fundamentais em São Carlos para o desenvolvimento do município. Hoje dos 10 bilhões de reais do PIB anual de São Carlos, 3 bilhões de reais, ou seja, 30%, é de ciência e tecnologia”, afirmou Tundisi revelando também que está trabalhando para que São Carlos seja o primeiro município a ter uma Fundação de Amparo à Pesquisa.

O prefeito Airton Garcia agradeceu todos os pesquisadores e organizadores do evento. “Esse é o segundo evento internacional no mês de setembro que sediamos o que demonstra a importância das nossas instituições e universidades, da vocação da cidade que é tecnologia de ponta. Esperamos que essa pesquisa tenha desdobramentos no nosso país, a partir de São Carlos”.

A gerente de Operações de Tratamento de Água e Esgoto do SAAE, Leila Jorge Patrizzi, fez um breve relato sobre como trabalha a autarquia e a ETE Monjolinho, que trata 700 litros de esgoto por segundo.

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